quinta-feira, 24 de março de 2011
segunda-feira, 14 de março de 2011
EU SÔ EU, ORA!
Eu sô eu, ora!
Escrevo por linhas imaginárias
sem saber do começo e do fim
São páginas avessas, arbitrárias
Mas é o melhor que há em mim
Se queres saber de onde venho
pergunta ao vento, à chuva
pergunta ao tempo, sei tenho
o frescor e aromas das uvas
Minha terra tem vinhedos
engrandecendo a paisagem
Lugar onde não há segredos
Sou caipira e de passagem
perco a rima, folguedos
Poeta em aprendizagem
Oia vim mostrá pro pessoá
que a sinhá Mariquinha
é uma moreninha di arrasá
Cê pensa que num sei escrivinhá
Oia cabra safado vou berrá
ocê é burro xucro, vem mi enfrentá
cê mora na cidade grande, vo alertá
escrevinha mió, cê deixa a desejá
Tô cum baita duma reiva
Mais deixa está, tô na net
Inté lá em Portugá
E o cê tá ondi?
Conheça os poemas da sinhá Mariquinha
em o Pensador
http://pensador.uol.com.br/autor/Tania_Mara_Camargo/
A DAMA (POESIA) 14-03-2011
A DAMA (POESIA)
Oh dama das letras inspiradas
Tu és nívea, ter-te nem sempre
consigo, és tão desejada
Deixa-me assim para que lembre
das páginas que construí anos
e anos, como um livro de vida
escrito face aos sentires humanos
Quiça fosse eu uma margarida
Singela no dom de obtê-la
e perfumada nos versos
sem nunca poder detê-la
Mas sou reles alfarrábio e vê-la
todos os dias em lavras e diversos
faz-me a cada dia mais e mais querê-la!
quarta-feira, 2 de março de 2011
Rubra idade dos desejos
Rubra idade dos desejos
Melindrosa gotinha d'água
Onde o arco-íris é plataforma
despenca mansa da rosa em frágua
Acalorada agora é amada
Desce pela face uma lágrima
Alegria pela mágica ilusão
Deixou de ser mero botão e cisma
que é flor-amor símbolo da paixão
Ah rubra idade, tantos desejos
Odores exóticos errantes
anseios e carinhos em sobejo
Leito paraíso delirante
Inocência passado enfadonho
Futuro é nunca acordar do sonho!
terça-feira, 1 de março de 2011
A arte de viver
A arte de viver
A arte, sonhos, amor e despedidas
palco das inúmeras ilusões
Fellini aponta a doce vida
E o poeta perde-se em divagações
Quem dera viajar pelo espaço
ser Spielberg em criação suprema
Nas estrelas encontrar o regaço
e a inspiração uma fita de cinema
E tudo poderia ter um multicolorido
Da Vinci com a Monalisa
Frida Kalo em contraste definido
Abelha voa por cima da romã,zumbido
Salvador Dali novo tempo profetiza
Na poesia o viver vai evoluindo!
Pessoa fala que é preciso criar
vale à pena ter nascido
só de sentir o vento passar
pensar com os olhos e ouvidos
A vida é a arte do encontro apesar
de tantos desencontros vividos
dizia Vinicius o poeta do mar
Copacabana , versos embevecidos
Amália em fundo musical, o fado
Voz Portugal, ave maria fadista
a arte do sentimento verbalizado
Vem descalça a deusa do eclipsado
Brincar de viver é a conquista
Canta Bethânia, a vida é um bordado!
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Sintonias
Sintonias
Um dedo de prosa
feriu-se nos espinhos
da rosa dos ventos
intento de querer
que o céu seja sempre
cor de rosa
As mãos então
recolheram-se
vingando-se do papel
que o espreitava
em dor as palavras
choravam
lamentavam-se
Nem sempre um
porre gera inspiração
nem sempre a alegria
vem bêbada
nem a fantasia faz-se
opção
o óbvio da pena
é que o tinteiro
é coisa do passado
o óbvio da poesia
está nos laços de fitas
dos presentinhos
que a natura nos empresta
O poema vem do íntimo
captá-lo depende das
ondas astrais
Sintonias em frequências
atemporais
Lembra-se da cantoria
dos pardais?
Maria Bethânia dos Orixás
Oyá tetê oyá, olha o vento a chegar
Balançou o bambuzal
Se és bale ou onira o ori saberá
Guerreira, olha os atabaques a te saudar
Vem lá da Bahia, Purificação e bem amar
Ah moça bonita, abelha rainha do Ketu
Voz da mãe África , Oxóssi a abençoar
Xangô para fortalecer todos os tabús
Iansã a te iluminar e o Brasil a aplaudir
Olha o vento, ave Maria a deusa vai cantar
Balançou o bambuzal
Oyá , dos olhos negros tão determinados
Que minha vida fez iluminar
Emociona-me tua singelez em estar
E estás no meu coração mesmo sem te alcançar
Olha o vento em oração , Logun a revenciar
Balançou o bambuzal
Maria Bethânia dos Orixás!
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Amoroso
Amoroso
Divina glória dos meus pensares
em grandeza total de espírito
vejo-te lá e cá, em todos os lugares
Num Impregnar d'alma, és um mito
Senhor seguirei-te por onde andares
Tu tens tudo, todos os quesitos
odor exótico de quasares
Banhar-me de ti é prazer, um rito
Se não me tocas o corpo faz motim
Poeta de versos amorosos
Olhar celeste sobre o cetim
De minha camisola organsim
urdidura, enredo proveitoso
Do amor e desejo que há em mim!
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Haikais- chuva
chove e tem sol
primavera e odor
dias sem igual
chove lá fora
Gotinhas de prazer
Néctar, torpor
aroma exótico
Terra molhada, nua
renasce a flor
DEV(ORAÇÃO)
Dev(oração)
Velai por minha formosura
Candor em rosa rubra
Singelez de túnica alfaia,pura
olhos meus que te cubra
Pensai amado, lumem me atiras
revelando o segredo das anáguas
dos laços e das fitas e em giras
sobejam adejos e vão-se as águas
Crente na virginal carne morena
em préludios de foles e baforadas
sussurras ao pé de ouvido, cantilenas
Plenas em vigor , arrepiar de melenas
de súbito és rei ante a cena consagrada
olvido-me de quem sou e das novenas!
Ornada de flores astrais e ternura
desalinhando o horizonte
vão teus olhos até minha cintura
tens sede, vens beber da fonte
devorada pelo olhar e pelas juras
abro as portas do éden e os montes
expondo-me e com tremura
entrego-me até que a estrela desponte
perseguida pelos olhos exaustos
querendo reacender a éterea chama
firmamento de corpo inexausto
Resplandecem almas e num hausto
o querer deseja e reclama
Outra vez eu grito: Vem Fausto!
Cena
Papel voando ao vento
perdido nas ruas da
cidade de trânsito caótico.
Diz-me algo, como se a
alma saltasse na primeira
esquina e ficasse ao léu.
Nada importa,
tudo é inutilidade
futilidade
Onde termina e começa
a tal saga?
Para o observante
inspiração
para os cegos de
coração, um nada
Falha-me a memória
sigo o papel se debatendo
entre veículos e sarjetas
e na banalidade da cena
conformo-me com o destino
incertezas fazem parte
Ajeito a bunda no assento
o amanhã pode chegar
com rumo certo.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
LITERATURA
Oh débil ideia desnudar a poesia
Intelecto à cata de sílabas
Na tônica efervescente do dia
Pensa: o mar também liba!
Libidinosos e pueris em alegria
Versos que pari com jiba
São Tomé: _ é vero me diria
Tens o dom mas de escriba!
Por certo que os versos são mancos
aleijadas por natureza destra
Maestria nem pensar, solavancos
São palavras de uma balestra
Em festa por criar e não estanco
Mas a literatura vêm-me em sestra!
Desfiando o tempo
Agora que tão exposta, nudez e olor
aguardo uma resposta(sim) do além mar
possuir-te nas águas e ondas sem pudor
fervor celeste de céu a nos instigar
Em Médeia poderia provocar pavor
Fria não o sou, por malvada não vou passar
Se no peito há tão somente único amor
bordado de estrelas, o teu eterno lar
Afrofite-proposta sensualidade
julgo inda converter-me na bela Helena
Guardei para ti lux, minha mocidade
Te encontrarei nas linhas da verdade
Voando aturdida, uma triste falena
De penas o viver é fado e maldade!
Bazófias
Bazófias
Minhas póstumas escrituras
Lavras utópicas de bel prazer
Feelings em partituras
Muito tenho pra dizer
Minha lápide ambrosia pura
coberta por rubra rosa adscrever
meu romanesco viver em lisuras
qual cereja madura para sorver
Antes porém, vou destrambelhar
desfilar nua pelo passaredo
enterrar todos os meus medos
Em meio ao alvoroço vou gritar
Recitarei as prosas, meus segredos
Morrerei na poesia num dia azedo!
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E de tanta arruça, pé quebrado
Farei folguedos com papéis
Culpa exclusiva dos menestréis
que trouxeram a lira do passado
Sonetos remendados, mal cozidos
em caldeirão de sensualidade
onde figuram calcinhas e a idade
da mente in (descente), empertigo
Jogarei as sílabas ao céu de arlequim
Sem contar uma sequer, é o fim
Bandeira negra, pintura a nanquim
E ainda perguntas qual o manequim?
Mortalha não tem número e enfim
um ataúde cheirando a jasmim!
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
AMOR(FO)
AMOR(FO)
Pensei que sobreviveria
num átimo de tempo que julguei
eternidade, canônica prece
Indaguei aos confins
aos ventos
resposta em lamentos
Pensei que o infinito
seria colorido
portais do paraíso
tolices!
A negridão concisa
abriu-me as portas
E de tanto pensar
descobri que o desamor
é uma vala
é alegria que cala
é morte anunciada
c
a
í
nos labirintos da realidade
e surda
não vi nova aurora!
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Apenas mais um poema
Apenas mais um poema
Disse não à masturbação poética
Desvirginou a noite com cantilenas
Afagou estrelas, bebeu das nuvens
embriagou-se ante a dama fria
Desnorteado e excitado
escreveu sobre folhas outonais
rimas avessas, palavras trôpegas
Morreu de poesia
na sexta-feira santa!
Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=173224#ixzz1CdeVwFv7
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives
Disse não à masturbação poética
Desvirginou a noite com cantilenas
Afagou estrelas, bebeu das nuvens
embriagou-se ante a dama fria
Desnorteado e excitado
escreveu sobre folhas outonais
rimas avessas, palavras trôpegas
Morreu de poesia
na sexta-feira santa!
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DE PERMEIO
DE PERMEIO
Destarte o vento bradava
doces palavras sobre o céu
Gemiam as nuvens alvas:
_Alba trouxe-lhe o anel!
Um arco-iris de improviso
Matizou as flores do vestido
rosas em nuances, sorriso
Alma leve, corpo desinibido
Enlace de flor, lua e estrela
contemplação e formosura
Ela nua via-se mais bela
Na partitura traços de ternura
enquanto o cio da gazela
entreameava os sinos da capela!
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O REGRESSO
O REGRESSO
A face da tarde, maga infelicdade
supos-se em arrebol a lágrima
que se esquivou ante a maldade
Vigiavam os olhos de Fátima
A noite contudo, viria em atavia
uma sombra projeta-se ao longe
na estrada vinha minh'alegria
Ex combatente, de amor ausente
Sofrido rapaz, imagem lúcida
na bagagem dores inda latentes
No peito apenas uma ferida
passos cansados, aleijantes
A chamar-me: _Minha querida!
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Amante da noite
Amante da noite
Lua amiga, minha confidente
brilha nos olhos meus
tão imprudentes
Cobicei um cavalheiro
audaz
com o peito cravejado
de medalhas
Oh Lua valha-me!
Deixei cair um lenço
perfumado de alfazema,,,
Tão gentil se fez o homem,
recolheu-o e aos meus
pés ficou ajoelhado
Traiu-me as faces
ruborizadas.
Encantada por olhos
tão negros,
passei a namorar a
noite.
Em meus sonhos de
donzela, agora
me dispo da inocência
concretizo meu papel
de mulher apaixonada.
Oh lua! Permita-me
um aparte,,,
Vire de costas por uns
instantes,
não quero que almeje
o corpo
de meu belo amante!
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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Morte natural
À sombra dos desencantos
Jaz um único pensamento
Morte natural
Tanto faz a lágrima
Tanto faz a dor
Impossibilidades ...
Pode a folha caída
Voltar ao ramo?
Pode a chuva
Recolher-se em detrimento
De alguém?
Banalidades...
A futilidade, o desdém
Chegou-me em carta expressa
Rasguei-a ao vento
Ouvi então um lamento
Morte natural!
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