domingo, 20 de fevereiro de 2011

DEV(ORAÇÃO)



Dev(oração)





Velai por minha formosura

Candor em rosa rubra

Singelez de túnica alfaia,pura

olhos meus que te cubra



Pensai amado, lumem me atiras

revelando o segredo das anáguas

dos laços e das fitas e em giras

sobejam adejos e vão-se as águas



Crente na virginal carne morena

em préludios de foles e baforadas

sussurras ao pé de ouvido, cantilenas



Plenas em vigor , arrepiar de melenas

de súbito és rei ante a cena consagrada

olvido-me de quem sou e das novenas!







Ornada de flores astrais e ternura

desalinhando o horizonte

vão teus olhos até minha cintura

tens sede, vens beber da fonte



devorada pelo olhar e pelas juras

abro as portas do éden e os montes

expondo-me e com tremura

entrego-me até que a estrela desponte



perseguida pelos olhos exaustos

querendo reacender a éterea chama

firmamento de corpo inexausto



Resplandecem almas e num hausto

o querer deseja e reclama

Outra vez eu grito: Vem Fausto!









Cena



Papel voando ao vento

perdido nas ruas da

cidade de trânsito caótico.



Diz-me algo, como se a

alma saltasse na primeira

esquina e ficasse ao léu.



Nada importa,

tudo é inutilidade

futilidade





Onde termina e começa

a tal saga?





Para o observante

inspiração

para os cegos de

coração, um nada



Falha-me a memória

sigo o papel se debatendo

entre veículos e sarjetas



e na banalidade da cena

conformo-me com o destino

incertezas fazem parte

Ajeito a bunda no assento



o amanhã pode chegar

com rumo certo.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

LITERATURA



Oh débil ideia desnudar a poesia

Intelecto à cata de sílabas

Na tônica efervescente do dia

Pensa: o mar também liba!



Libidinosos e pueris em alegria

Versos que pari com jiba

São Tomé: _ é vero me diria

Tens o dom mas de escriba!



Por certo que os versos são mancos

aleijadas por natureza destra

Maestria nem pensar, solavancos



São palavras de uma balestra

Em festa por criar e não estanco

Mas a literatura vêm-me em sestra!

Desfiando o tempo

 
Agora que tão exposta, nudez e olor

aguardo uma resposta(sim) do além mar

possuir-te nas águas e ondas sem pudor

fervor celeste de céu a nos instigar



Em Médeia poderia provocar pavor

Fria não o sou, por malvada não vou passar

Se no peito há tão somente único amor

bordado de estrelas, o teu eterno lar



Afrofite-proposta sensualidade

julgo inda converter-me na bela Helena

Guardei para ti lux, minha mocidade



Te encontrarei nas linhas da verdade

Voando aturdida, uma triste falena

De penas o viver é fado e maldade!

Bazófias



Bazófias






Minhas póstumas escrituras

Lavras utópicas de bel prazer

Feelings em partituras

Muito tenho pra dizer



Minha lápide ambrosia pura

coberta por rubra rosa adscrever

meu romanesco viver em lisuras

qual cereja madura para sorver



Antes porém, vou destrambelhar

desfilar nua pelo passaredo

enterrar todos os meus medos



Em meio ao alvoroço vou gritar

Recitarei as prosas, meus segredos

Morrerei na poesia num dia azedo!



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E de tanta arruça, pé quebrado

Farei folguedos com papéis

Culpa exclusiva dos menestréis

que trouxeram a lira do passado



Sonetos remendados, mal cozidos

em caldeirão de sensualidade

onde figuram calcinhas e a idade

da mente in (descente), empertigo



Jogarei as sílabas ao céu de arlequim

Sem contar uma sequer, é o fim

Bandeira negra, pintura a nanquim



E ainda perguntas qual o manequim?

Mortalha não tem número e enfim

um ataúde cheirando a jasmim!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

AMOR(FO)


AMOR(FO)



Pensei que sobreviveria

num átimo de tempo que julguei

eternidade, canônica prece

Indaguei aos confins

aos ventos

resposta em lamentos



Pensei que o infinito

seria colorido

portais do paraíso

tolices!

A negridão concisa

abriu-me as portas



E de tanto pensar

descobri que o desamor

é uma vala

é alegria que cala

é morte anunciada



c

a

í



nos labirintos da realidade

e surda

não vi nova aurora!





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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Apenas mais um poema

Apenas mais um poema



Disse não à masturbação poética

Desvirginou a noite com cantilenas

Afagou estrelas, bebeu das nuvens

embriagou-se ante a dama fria





Desnorteado e excitado

escreveu sobre folhas outonais

rimas avessas, palavras trôpegas

Morreu de poesia

na sexta-feira santa!







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DE PERMEIO


DE PERMEIO



Destarte o vento bradava

doces palavras sobre o céu

Gemiam as nuvens alvas:

_Alba trouxe-lhe o anel!



Um arco-iris de improviso

Matizou as flores do vestido

rosas em nuances, sorriso

Alma leve, corpo desinibido



Enlace de flor, lua e estrela

contemplação e formosura

Ela nua via-se mais bela



Na partitura traços de ternura

enquanto o cio da gazela

entreameava os sinos da capela!







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O REGRESSO


O REGRESSO



A face da tarde, maga infelicdade

supos-se em arrebol a lágrima

que se esquivou ante a maldade

Vigiavam os olhos de Fátima



A noite contudo, viria em atavia

uma sombra projeta-se ao longe

na estrada vinha minh'alegria



Ex combatente, de amor ausente

Sofrido rapaz, imagem lúcida

na bagagem dores inda latentes



No peito apenas uma ferida

passos cansados, aleijantes

A chamar-me: _Minha querida!







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Amante da noite





Amante da noite



Lua amiga, minha confidente

brilha nos olhos meus

tão imprudentes



Cobicei um cavalheiro

audaz

com o peito cravejado

de medalhas



Oh Lua valha-me!



Deixei cair um lenço

perfumado de alfazema,,,



Tão gentil se fez o homem,

recolheu-o e aos meus

pés ficou ajoelhado



Traiu-me as faces

ruborizadas.

Encantada por olhos

tão negros,

passei a namorar a

noite.



Em meus sonhos de

donzela, agora

me dispo da inocência





concretizo meu papel

de mulher apaixonada.



Oh lua! Permita-me

um aparte,,,

Vire de costas por uns

instantes,

não quero que almeje

o corpo

de meu belo amante!





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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Morte natural



À sombra dos desencantos

Jaz um único pensamento

Morte natural

Tanto faz a lágrima

Tanto faz a dor

Impossibilidades ...

Pode a folha caída

Voltar ao ramo?

Pode a chuva

Recolher-se em detrimento

De alguém?

Banalidades...

A futilidade, o desdém

Chegou-me em carta expressa

Rasguei-a ao vento

Ouvi então um lamento

Morte natural!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Bicho grilo - Poemas - Poemas e Frases - Luso-Poemas

Bicho grilo - Poemas - Poemas e Frases - Luso-Poemas


Bicho grilo



Matei o nosso passado a pauladas

Cansei-me de esperar a sorte

Ganhar na loteria... Um passaporte

Fabricar paixões fingir-me amada

Qual nada, tudo isto é furada

Bebericar pode até fazer falta

Mas o teu amor está fora de pauta

Mulher robô é coisa tão antiga

Já não caio nesta tua tola cantiga

Tu não passas de um internauta!



Vou mudar todo o meu visual

Espantar os grilos da cabeça

Um back-up e lá vai... Desapareça!

Quero um alguém mais habitual

Enche o saco mania de caso virtual

Cansei de receber gifs de beijos

Credo! Não saciam meus desejos

Prefiro até amizade colorida

Um pega de vez em quando na vida

É legal, deixa-me realizada... Tchau!







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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Assim, através de notícias...

Homenagem dos seus primos: Tânia Mara e Régis Camargo



Ariadene Penteado Camargo.



Jornalista com 40 anos de atuação no Grupo Estado, Ariadene Penteado Camargo morreu na sexta-feira, em São Paulo, aos 66 anos. Ari, como era conhecido por colegas do Jornal da Tarde e de O Estado de S. Paulo, sofreu um infarto em sua casa.



Ari, que nasceu em Marília (SP), foi redator da editoria internacional do Estadão e do Jornal da Tarde e editor da primeira página do Jornal da Tarde. Seus amigos de ofício costumavam descrevê-lo como um profissional dedicado, exigente e de humor peculiar.



Como redator sempre primou pelo bom uso da língua portuguesa, sendo responsável pelo “pente fino” de muitas edições do Jornal da Tarde. Além disso, na redação, ele era o jornalista mais consultado por repórteres sobre dúvidas gramaticais.



Mesmo sendo corintiano fanático, não poupava seu time do coração de observações ácidas e pessimistas. O jornalista deixa mulher e três filhos.

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http://blogs.estadao.com.br/jt-cidade ... ARIADENE+PENTEADO+CAMARGO

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Tania, bom dia.



Você soube da morte do seu primo Ariadine Penteado Camargo?



Saudações,



Cláudio Amaral

http://twitter.com/amaralclaudio








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POEMA DE BOLSO

Notas amassadas, de real não tem nada.

Camarada, não te conto sobre a tais moedas

Cara e coroa em um grande amasso num

Maço de cigarros de segunda e a identidade

Lavada várias vezes em aguardente.

Um lenço jaz branco, virgem...







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ELE, ELA E A TRAMELA

Ele, ela e a tramela.



Andava a moçoila com desdém,

Esbarrei-me nela assim por acaso

Apressado mas a notei, até caso...

Qual nada, o descaso foi além.

Seguiu rua abaixo feito um vintém

Brilhava e aquelas pernas roliças...

A carne parecia macia e maciça

As ancas puro filé de primeira

Será que a danada é solteira?

Santo Deus! Perdoai minha cobiça!



Cruz credo! Ainda faz sinal de cruz

Desnudou-me com os olhos acesos

Bem notei que algo estava teso

Mantive o queixo ereto e o status

Equilibrei o nariz, ai Jesus!

Difícil manter a pose de donzela

Queria mesmo era uma apalpadela

Daquelas de desnortear as coxas

Que me deixam de unhas roxas

Pena que minha porta tem tramela!







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DÉMODÉ

DÉMODÉ

Venho desfiando raios de sol

Que se deitam comigo pela manhã.

Imprevisto pode ser o dia, porem creio

Nas nuvens lilases do entardecer.

Espero pela gota de orvalho que cai

Sobre a vidraça para o teu nome escrever.

Sei que sou démodé, mas o amor causa-me.

Estas loucuras.



Venho tentando roubar o perfume das

Rosas de jardins alheios e escrevo bilhetes

Apaixonados que faria o carteiro estremecer.

Finjo-me bailarina tentando

Acertar um demi-plié , em seguida

Dar um sissone para enfim num cruzado

Prender você.



Concentro minhas energias,

Calmamente beijo tua boca

E louca eternizo meu corpo

De mulher consciente dentro

Do teu ser.

Sei que sou démodé!





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XANGÔ PRA JULIO SARAIVA

Xangô para Julio Saraiva



Na quarta-feira peguei a gamela de madeira

Acendi uma vela branca e outra vermelha,

E a cobra coral piou, piou!

Sete chances para amar, sete para morrer.

Veio o trovão... A pedra rolou!

Preparei o pirão, juntei as Catarinas e

A maçã.

Kâo Kabecile!



Lucidez eu pedi, pois de amor me perdi

Vou morrer em tal tormento,

Amo sete dias e em sete palavras me

Declaro: poeta!

Kâo Kabecile



Liberta-me da armadilha, aqueles olhos

Vivem a me hipnotizar.

Iansã contigo a reinar e amar...

Ah! Meu Orixá, tu entendes a dor

Do querer e a queimar neste peito

Está a razão de este padecer.

Morrer de amor naqueles braços,

Seria a glória do meu viver!

Kâo Kabecile







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PARA SOFIA

Para Sofia



Olha o mar tão calmo e veja a paisagem.

A pátria tão doce fixada em moldura.

Vento com perfume das amoras bravas.

Então poeta, sinta-se livre, cante

e vista-se somente de poesia.

A praia branca onde espumas se

Deleitam nas areias não há ondas

Que impeçam a tua voz.

No ritual diário da lua és uma deusa

Liberta dos teus ais.

Vem Sofia, ensina-me a amar!



Singela homenagem a Sophia de Melo Breyner Andresen





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MEMÓRIAS DE UMA DEUSA

MEMÓRIAS DE UMA DEUSA



Sentia-me afoita naquela manhã

Um calor percorria meus espartilhos

Uma comichão invadia os amarrilhos

Vestes difíceis de retirar e que afã...

Pensares obscenos valha-me Iansã!

Donzela, permaneço e estremeço...

Mas tudo há de ter um bom começo

Deixo as mesuras nas gavetas

Alço um voo a imitar borboleta.

Pouso silencioso no teu corpo possesso



De prazeres enfeito minha face

A beleza do rubor em meus lábios

Encanto de Oxum deusa dos rios

Provocando a lua e no entrelace

Meus olhos virginais em trespasse

Migram num horizonte infindável

Tua boca deslizando insaciável

Entre seios vertiam cachoeiras

Correndo pelo ventre, ligeiras

Virgindade palavra memorável!





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São as águas de março fechando o verão (Elis Regina)

São as águas de março fechando o verão (Elis Regina)



Diga-me quantos foram os mortos?

Aponta-me com sua destra mão

Quem foi o arauto que ouviu e viu

Os corpos abatidos, as partículas

Humanas espalhadas pelo chão.

Humanas?...Quem são os mortos e

Feridos, bandidos ou inocentes?



Diga-me quantos debandaram

Pelas matas como animais ferozes,

Dispostos a matar e morrer?





E o poeta abandona o lirismo,

Já não escuta o canto da cotovia,

A realidade abrupta de nossos tempos

Infesta seus cabelos, como piolhos

Distribuindo as lêndeas, mais e mais

Virão até a desinfecção total.



E as lendas continuarão a serem fabricadas,

Em cada tanque que avançar novos heróis

Anônimos deixarão o sangue na calçada

Da fama.

Segue o rio e quiçá as águas de março venham para

Retirar pau e pedra do fim do caminho.

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Somente penso nos inocentes...



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