terça-feira, 28 de julho de 2009

JARDIM UTÓPICO (duo inocente)







JARDIM UTÓPICO (duo inocente)

Magníficas exalando um perfume inebriante
São as rosas expostas ao orvalho fecundo
Já viu tanta beleza, tanto lume estonteante?

Mais sutileza e doçura não há no mundo
Quando afagas meus cabelos e murmuras
Palavras de amor a este nobre vagabundo

Olhai as flores no jardim, todas são puras.
Reflete o querer, teu sentimento por mim.
E se é assim, digo que és digno, tem lisura.

Senhorita, tu és minha razão, tudo enfim.
Maior paixão nem as flores podem exprimir
E não sei como resistir a teu cheiro de jasmim

Meu vaga-lume, és tão ousado, tento resistir.
Estes olhos amendoados, piscando sem parar.
Deixa-me atônita, hipnotizada, sempre a sorrir.

Mas sou uma trepadeira, singela a esperar.
Sou abrigo de jasmineiro, daí vem o cheiro.
Que o faz perder o juízo e ainda querer cantar

Disfarço-me de grilo ninguém perceberá
Salto por entre as folhas e confundo-te a visão
Beijo-te e em estribilho faço a festa, verás...

Arranca este ramo de brinco de princesa, então.
Está a atrapalhar tua investida, quero te abraçar.
Hoje serei tua rainha, entregar-te-ei meu coração.

Finalmente ao céu irei subir para te encontrar
E por entre lírios e cravos, um amor perfeito
No paraíso deitarei e juntos vamos nos amar

Dá-me tua boca, em teus carinhos eu me deleito
Nem mais uma palavra, vamos ao que interessa
Fazer o quê, pirilampo falante tem os seus defeitos!

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