terça-feira, 28 de julho de 2009

Flor do Lácio







Flor do Lácio

Murmura o vento uma oração
Parte o navio entre brancos lenços
Flores nos vestidos, olhos ao chão
O mar vai brando, dia propenso

Lá vai a flor do Lácio imigrante
Que há de florescer e me esquecer
Terras além a abraçar a viajante
Desdita sina, ciúme, dor e querer

Que outros olhos hão de te cobiçar
Tua candura, areia fina deste mar
Saudades hão de me martirizar.

Que estrangeiro há de vir a te amar?
Morro, imaginar que a outro vais beijar
Com a mesma boca que adeus veio me dar!
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ULTIMA FLOR DO LÁCIO - por Olavo Bilac

Última flor do Lácio, inculta e bela,

És, a um tempo, esplendor e sepultura;

Ouro nativo, que na ganga impura

A bruta mina entre os cascalhos vela...

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Amo-te assim, desconhecida e obscura,

Tuba de alto clangor, lira singela,

Que tens o trom e o silvo da procela

E o arrolo da saudade e da ternura!

-

Amo o teu viço agreste e o teu aroma

De virgens selvas e de oceano largo!

Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

-

Em que da voz materna ouvi: "Meu filho!"

E em que Camões chorou, no exílio amargo,

O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

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